26 de agosto de 2026

Como empresas comunicam mudanças ao mercado de capitais, na perspectiva de Márcio Alaor de Araújo

This article has been written by Elena Vorenska

Empresas de capital aberto operam sob uma regra fundamental: qualquer mudança estrutural relevante, seja uma alteração de controle, uma reorganização societária ou uma revisão significativa de estratégia, precisa ser comunicada ao mercado de forma ampla, simultânea e imediata. Essa exigência regulatória, embora clara em teoria, esconde um desafio prático considerável na hora de decidir como comunicar sem gerar pânico desnecessário ou interpretações equivocadas.


Na perspectiva de Márcio Alaor de Araújo, executivo do mercado financeiro, a forma como uma empresa comunica uma mudança estrutural relevante costuma pesar tanto quanto a mudança em si na percepção que o mercado constrói sobre a solidez da gestão. Afinal, uma comunicação mal estruturada pode transformar uma decisão estratégica correta em motivo de desconfiança generalizada entre investidores.


Por que transparência imediata é exigência, não opção?


A Comissão de Valores Mobiliários exige que o diretor de relações com investidores zele pela disseminação ampla, simultânea e imediata de fatos relevantes de uma companhia aberta. Mudança de controle societário, reorganizações relevantes e decisões estratégicas de peso entram diretamente nessa categoria, o que significa que a empresa não tem margem para atrasar ou selecionar quem recebe essa informação primeiro.


Márcio Alaor de Araújo nota que empresas mais maduras tratam essa exigência regulatória não como obrigação burocrática, mas como oportunidade de reforçar credibilidade junto ao mercado. Comunicar rapidamente, mesmo quando a notícia não é totalmente favorável, costuma gerar mais confiança no médio prazo do que qualquer tentativa de controlar a narrativa por meio de divulgação seletiva ou atrasada.


O risco de mudanças estruturais mal explicadas


Nem toda reorganização societária ou mudança relevante indica problema para a empresa, mas a ausência de contexto claro sobre os motivos por trás da decisão costuma abrir espaço para interpretações negativas por parte do mercado. Uma simplificação de estrutura corporativa pode refletir eficiência estratégica genuína, mas, sem explicação adequada, pode ser interpretada como sinal de dificuldade financeira ou perda de confiança dos próprios controladores no negócio.




Por isso, Márcio Alaor de Araújo explica que cada mudança relevante possui motivações próprias, e presumir que o mercado vai interpretar corretamente essas motivações sem contexto explícito é um erro recorrente entre empresas menos experientes nesse tipo de comunicação. Investidores de longo prazo, em particular, tendem a valorizar clareza sobre o raciocínio estratégico por trás de qualquer mudança estrutural relevante.


Consistência entre comunicação e prática ao longo do tempo


Empresas que comunicam mudanças estruturais de forma transparente, mas cuja prática posterior contradiz o que foi anunciado, corroem rapidamente a credibilidade construída. O mercado acompanha não apenas o anúncio isolado, mas se os desdobramentos práticos da mudança correspondem ao que foi originalmente comunicado aos investidores.


Márcio Alaor de Araújo destaca que investidores institucionais, cada vez mais engajados e atentos não apenas a resultados de curto prazo, mas à sustentabilidade do negócio no longo prazo, costumam penalizar com mais severidade empresas que comunicam bem, mas executam de forma inconsistente, do que empresas que comunicam de forma mais direta, ainda que a notícia não seja inteiramente positiva.


Comunicação como parte da estratégia, não como reação posterior


Empresas mais bem-sucedidas nesse tipo de comunicação tratam a divulgação de mudanças estruturais como parte do próprio planejamento estratégico, definindo com antecedência como e quando cada informação será compartilhada, em vez de improvisar uma resposta apenas quando a mudança já se tornou pública por outros canais.


Márcio Alaor de Araújo reforça que empresas capazes de antecipar essa comunicação, preparando o mercado gradualmente para mudanças relevantes em vez de anunciá-las de forma abrupta, tendem a sustentar relação de confiança mais sólida com investidores ao longo do tempo. Essa antecipação estratégica, mais do que qualquer técnica isolada de comunicação, é o que efetivamente diferencia empresas que preservam credibilidade durante transições relevantes daquelas que enfrentam turbulência desnecessária no mercado de capitais.

Por Elena Vorenska 26 de agosto de 2026
Projetos de inovação costumam começar com uma promessa atraente: adotar uma tecnologia capaz de tornar a empresa mais eficiente, competitiva e preparada para o futuro. O problema aparece quando a novidade é tratada como ponto de chegada, e não como parte de uma decisão estratégica. Para gerar resultado, tecnologia, estratégia e operação precisam avançar na mesma direção. O CEO da Vert Analytics e especialista em tecnologia, com experiência consolidada em inovação, inteligência artificial e analítica, e no desenvolvimento de soluções que transformam negócios e serviços públicos, André de Barros Faria, aponta que projetos de inovação devem partir de problemas concretos do negócio e transformar capacidade tecnológica em valor mensurável. Isso significa evitar a escolha de ferramentas apenas porque estão em alta e analisar como inteligência analítica, inteligência artificial e automação podem melhorar decisões e processos. Tecnologia precisa responder a uma estratégia  Uma inovação bem estruturada não começa pela pergunta sobre qual tecnologia usar. A questão inicial é qual resultado a organização pretende alcançar. Pode ser reduzir retrabalho, acelerar uma etapa operacional, melhorar a qualidade da informação ou apoiar decisões mais precisas. Esse ponto muda a lógica do projeto. Em vez de implantar IA generativa, machine learning ou automação inteligente como iniciativas isoladas, a empresa passa a avaliar onde essas capacidades produzem impacto real. A tecnologia deixa de ser protagonista e passa a funcionar como instrumento para executar uma estratégia. A própria atuação da Vert Analytics mostra essa abordagem ao combinar inteligência artificial, análise de dados, automação de processos e soluções voltadas à otimização da tomada de decisão. No ambiente de negócios, esse alinhamento permite conectar inovação a ganhos de eficiência e a uma visão mais consistente sobre geração de valor. Operação transforma inovação em resultado Mesmo uma estratégia bem formulada pode perder força quando não encontra espaço na operação. Processos mal definidos, dados fragmentados e atividades repetitivas podem limitar o retorno de qualquer investimento tecnológico. André de Barros Faria elucida que o desenho do projeto precisa considerar a rotina de quem utilizará a solução. É necessário entender quais etapas dependem de intervenção humana, quais podem ser automatizadas e quais informações precisam estar disponíveis para a decisão. A automação de processos, por exemplo, ganha relevância quando elimina tarefas repetitivas, reduz retrabalho e melhora a visibilidade necessária para decidir. Nesse contexto, a hiperautomação amplia a discussão. Em vez de automatizar apenas uma tarefa, a organização pode integrar diferentes capacidades, dados e fluxos para tornar o processo mais inteligente. Os agentes autônomos de IA avançam nessa direção ao executar determinadas atividades com maior independência, apoiados por técnicas de inteligência artificial. Dados conectam as três dimensões A inteligência analítica exerce um papel central porque ajuda a criar a ponte entre estratégia e operação. Sem dados confiáveis, a liderança tende a decidir com informações incompletas, enquanto a área operacional pode automatizar processos sem compreender seus efeitos. Uma arquitetura orientada a dados permite identificar padrões, acompanhar indicadores e criar mecanismos para apoiar decisões. Na Vert Analytics, soluções analíticas são apresentadas como capazes de capturar, processar e analisar diferentes tipos de dados, permitindo tanto automatizar ações quanto apresentar informações relevantes para processos decisórios. Isso também ajuda a construir uma inovação mais responsável. O uso de IA precisa considerar critérios de governança, qualidade das informações, segurança e clareza sobre o papel humano nas decisões de maior impacto. Liderança precisa alinhar visão e execução A conexão entre tecnologia, estratégia e operação depende também da liderança. Cabe aos gestores definir prioridades, estabelecer critérios de sucesso e impedir que a inovação seja conduzida apenas pelo entusiasmo com novas ferramentas. Para André Faria, essa perspectiva é especialmente relevante em um cenário no qual a inteligência artificial amplia rapidamente as possibilidades de automação e análise. A próxima onda de produtividade não dependerá apenas de modelos mais avançados, mas da capacidade de incorporá-los aos processos certos, com objetivos claros e governança adequada. Alinhar tecnologia, estratégia e operação, portanto, não significa fazer com que todas as áreas pensem da mesma maneira. Significa criar uma direção comum: problemas bem definidos, tecnologia adequada, dados úteis e processos capazes de transformar inovação em resultado. É essa combinação que permite que a transformação digital deixe de ser apenas promessa e se converta em eficiência, diferenciação estratégica e geração de valor.
Por Elena Vorenska 26 de agosto de 2026
Campanha entra em nova fase no Pará, com propaganda no rádio e na TV e atenção maior às escolhas para governador, senador e deputados. A corrida eleitoral no Pará entra em uma etapa decisiva nesta semana. A partir de sexta-feira, 28 de agosto, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para o primeiro turno das Eleições 2026, levando a disputa para dentro das casas de eleitores de Belém, Santarém, Marabá e demais municípios do estado. A campanha oficial já está liberada desde 16 de agosto, mas o início do horário eleitoral amplia a exposição dos candidatos e pode mudar a percepção do eleitor sobre as principais candidaturas. A movimentação ganhou um novo capítulo na segunda-feira (24), quando o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) precisou redistribuir o tempo destinado aos candidatos ao Senado após a entrada de uma nova candidatura. Para o eleitor paraense, a mudança é importante porque o Senado terá duas vagas em disputa e o horário eleitoral será uma das principais fontes de informação sobre os concorrentes. A pergunta que ganha força, portanto, é: o que muda para o eleitor do Pará com o início da propaganda eleitoral e como acompanhar a disputa sem depender apenas das redes sociais? Horário eleitoral no Pará começa em 28 de agosto; veja o que muda O horário eleitoral gratuito do primeiro turno será transmitido no Pará entre 28 de agosto e 1º de outubro. O calendário foi organizado pelo TRE-PA em audiência pública realizada em 19 de agosto, quando foram definidos procedimentos, emissoras geradoras, ordem de veiculação e distribuição das inserções. A propaganda contempla as disputas para governador, senador, deputado federal e deputado estadual, permitindo que o eleitor tenha contato mais estruturado com propostas e posicionamentos dos candidatos. No caso da disputa pelo governo estadual, a ordem de apresentação definida para o primeiro dia ficou com O Pará Tá Junto em primeiro, O Pará É do Povo em segundo e a Federação PSOL/Rede em terceiro. A ordem inicial não significa vantagem eleitoral nem determina quem terá mais tempo ao longo da campanha, pois a distribuição segue critérios estabelecidos pela legislação eleitoral. Para o eleitor, o ponto mais importante é observar que a propaganda é apenas uma das fontes disponíveis e deve ser comparada com informações oficiais sobre candidaturas, propostas e histórico político. A propaganda também ganha importância porque o Pará tem uma disputa estadual que envolve decisões diretamente relacionadas ao cotidiano da população. Temas como saúde pública, segurança, educação, infraestrutura, transporte, mineração, agronegócio, pesca e desenvolvimento regional tendem a ocupar espaço nas campanhas. Em Belém e na Região Metropolitana, questões urbanas e o legado de grandes investimentos também podem pesar no debate, enquanto municípios do interior podem concentrar atenção em estradas, serviços públicos, produção rural e acesso à saúde. Assim, o horário eleitoral pode ajudar o eleitor a identificar quais propostas realmente tratam de problemas presentes em sua região. Disputa pelo Senado ganha novo capítulo após mudança no Pará A corrida pelo Senado também sofreu uma alteração recente. Em 24 de agosto, o TRE-PA refez a distribuição do horário eleitoral porque uma nova candidatura foi apresentada pela Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. Com isso, o número de candidaturas consideradas na distribuição passou de cinco para seis, obrigando o tribunal a recalcular exclusivamente o tempo destinado ao Senado. A nova divisão ficou assim: O Pará Tá Junto recebeu 4 minutos e 20,29 segundos, enquanto o Partido Liberal ficou com 1 minuto e 22,91 segundos. Podemos, PDT, Federação PSOL/Rede e Federação Renovação Solidária receberam, respectivamente, 22,49 segundos, 19,39 segundos, 18,62 segundos e 16,30 segundos. Ao todo, serão 980 inserções durante o período, e a distribuição vale igualmente para rádio e televisão. Para quem vai votar no Pará, a disputa pelo Senado merece atenção especial porque serão escolhidos dois senadores em 2026. O eleitor não deve confundir a quantidade de tempo de propaganda com preferência do eleitorado, já que a divisão obedece principalmente à representação partidária e às regras previstas na legislação. Além disso, a Justiça Eleitoral informa que a posição sorteada para a apresentação no primeiro dia representa apenas a ordem de veiculação e não corresponde ao tempo recebido por cada candidatura. Outro ponto importante é que a campanha eleitoral já está submetida a regras específicas para internet e propaganda. Desde 16 de agosto, candidatos podem realizar comícios, carreatas, caminhadas, distribuição de material e propaganda na internet, respeitando as normas eleitorais. O eleitor também precisa ficar atento ao conteúdo compartilhado nas redes, principalmente quando mensagens apresentam acusações ou informações que não podem ser confirmadas por fontes confiáveis. O que o eleitor paraense deve acompanhar até outubro A próxima fase da eleição não será marcada apenas pela televisão e pelo rádio. O processo eleitoral seguirá avançando até a votação de 4 de outubro, enquanto a Justiça Eleitoral continua analisando os registros de candidatura. O TRE-PA estabeleceu 14 de setembro como prazo para que os pedidos de registro, inclusive aqueles contestados ou em grau de recurso, estejam julgados e com decisões publicadas pelas instâncias ordinárias. Isso significa que o cenário eleitoral ainda pode sofrer alterações jurídicas, embora as candidaturas já estejam em campanha. Para o eleitor, uma das formas mais seguras de acompanhar essas mudanças é utilizar os canais oficiais da Justiça Eleitoral, que concentram informações sobre candidaturas, locais de votação, regras de propaganda e prestação de contas. O próprio TRE-PA mantém uma página específica das Eleições 2026 com serviços e informações atualizadas para o eleitorado paraense. A recomendação prática para quem mora no Pará é aproveitar o início da propaganda para anotar os principais nomes e comparar propostas, sem decidir apenas pelo desempenho de um candidato em um programa de poucos segundos. Também vale observar se as promessas apresentadas podem ser executadas pelo cargo em disputa, já que governador, senador, deputado federal e deputado estadual possuem atribuições diferentes. Essa distinção é especialmente importante quando temas como hospitais, escolas, segurança, infraestrutura e investimentos federais aparecem misturados durante a campanha. O eleitor de Belém, Santarém, Marabá, Ananindeua, Castanhal, Altamira e dos demais municípios paraenses ainda terá semanas para acompanhar o debate antes do primeiro turno. Nesse período, além da propaganda, será possível consultar informações oficiais e verificar como cada candidatura pretende tratar questões que afetam diretamente o estado. A eleição, portanto, entra em uma fase em que informação e comparação passam a ter peso maior na escolha. Com o início do horário eleitoral nesta sexta-feira, o paraense terá mais uma ferramenta para conhecer os candidatos que disputam os principais cargos estaduais e federais. A mudança também torna mais visível a disputa pelo governo do Pará e pelas duas vagas ao Senado, enquanto candidatos a deputado federal e estadual ampliam suas campanhas. Para o eleitor, o principal cuidado é não transformar propaganda em única fonte de informação: propostas, trajetória, regras eleitorais e dados oficiais também precisam entrar na análise. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro, e até lá o cenário político do Pará continuará em movimento. Fontes: TRE-PA — Audiência pública define ordem do Horário Eleitoral Gratuito TRE-PA — Redistribuição do horário eleitoral para candidaturas ao Senado TRE-PA — Propaganda eleitoral começa em 16 de agosto TRE-PA — Eleições 2026: faltam dois meses para o eleitorado escolher seis candidatos
Por Elena Vorenska 26 de agosto de 2026
Evento reúne estudantes, pesquisadores e profissionais para discutir inteligência artificial, formação e soluções tecnológicas voltadas à Amazônia. Belém recebe, entre esta quarta-feira, 26 de agosto, e o próximo sábado, 29, a Semana da Computação da Universidade Federal do Pará (Secomp 2026), evento que coloca a inteligência artificial e seus impactos na sociedade no centro dos debates. Promovida pela Faculdade de Computação e pelo Programa de Pós-Graduação em Computação da UFPA, a programação reúne palestras, oficinas práticas, competição de programação e atividades voltadas à carreira. O encontro ocorre em um momento em que ferramentas de IA passam a fazer parte da rotina de estudantes, empresas, serviços públicos e profissionais de diferentes áreas. Para o paraense, porém, a discussão vai além de aprender a usar novas plataformas: envolve entender quais oportunidades podem surgir na economia local e como a tecnologia pode ajudar a enfrentar desafios específicos da Amazônia. A principal dúvida, portanto, é prática: o avanço da inteligência artificial pode gerar estudo, emprego e inovação no Pará? A programação da UFPA ajuda a mostrar por que a resposta depende tanto da formação de pessoas quanto da criação de soluções conectadas à realidade regional. Por que a inteligência artificial discutida em Belém interessa ao cotidiano do paraense? A Semana da Computação da UFPA tem como tema “Tecnologia e sociedade diante das novas fronteiras da inteligência artificial”, reunindo pesquisadores, estudantes e profissionais para discutir o avanço dessas ferramentas e seus efeitos. Segundo a universidade, a programação inclui palestras, oficinas práticas e a etapa regional da Maratona de Programação, além de atividades voltadas à formação e ao contato entre novos talentos e o mercado. O evento é realizado entre os dias 26 e 29 de agosto, em Belém, com participação de pessoas ligadas à Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e outras áreas relacionadas. A iniciativa também busca aproximar a produção acadêmica das necessidades do setor tecnológico paraense. A importância desse debate para o Pará está no fato de que a inteligência artificial já deixou de ser um assunto restrito a grandes empresas de tecnologia. Ferramentas baseadas em IA podem apoiar atividades educacionais, organizar grandes volumes de informação, automatizar tarefas e auxiliar na criação de sistemas para diferentes setores da economia. Em um estado com dimensões continentais e grandes desafios de comunicação, logística e acesso a serviços, a tecnologia também pode ser pensada a partir de problemas locais. Isso inclui possibilidades de pesquisa relacionadas ao meio ambiente, à Amazônia, ao agronegócio, à pesca, à mineração e aos serviços públicos. O ponto central é que soluções desenvolvidas para outras regiões nem sempre respondem adequadamente às características sociais, geográficas e econômicas do Pará. Por isso, formar profissionais e pesquisadores capazes de criar tecnologia a partir da realidade amazônica se torna uma questão estratégica para o desenvolvimento regional. A discussão também interessa a quem ainda não trabalha diretamente com tecnologia. Estudantes do ensino médio e universitários precisam acompanhar mudanças que podem alterar as habilidades mais valorizadas no mercado, enquanto profissionais de outras áreas já convivem com ferramentas digitais em suas rotinas. Aprender a avaliar informações produzidas por sistemas de IA, compreender seus limites e saber utilizá-los de maneira responsável tende a se tornar cada vez mais importante. A própria programação da Secomp prevê atividades práticas e espaços de troca entre academia e mercado, reforçando que o conhecimento tecnológico não se resume à teoria. UFPA e formação tecnológica: o que estudantes e profissionais podem ganhar com eventos como a Secomp? Para quem mora em Belém ou acompanha o crescimento do setor de tecnologia no Pará, um dos principais ganhos de eventos como a Semana da Computação é a aproximação entre formação, pesquisa e oportunidades profissionais. A programação de 2026 reúne palestras, minicursos, oficinas e uma feira voltada a carreiras, criando espaços para que estudantes conheçam áreas de atuação e façam contato com profissionais do mercado. A Maratona de Programação, por sua vez, trabalha competências como raciocínio lógico, criatividade, resolução de problemas e trabalho em equipe. Essas habilidades são úteis não apenas para programadores, mas também para quem pretende atuar em ambientes profissionais cada vez mais digitalizados. A competição faz parte de uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Computação e pode levar equipes bem classificadas a etapas posteriores do circuito. A presença da UFPA nesse debate tem peso especial para o estado por sua atuação na formação de profissionais e na produção científica na Amazônia. A universidade destaca que a Semana da Computação pretende fortalecer o ecossistema tecnológico de Belém e contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas às demandas locais. Na prática, isso significa discutir tecnologia não apenas como consumo de produtos criados em outros centros do país ou do exterior, mas como área capaz de gerar conhecimento e negócios dentro do próprio Pará. Para um jovem que está escolhendo uma carreira, por exemplo, o evento pode ajudar a visualizar caminhos em desenvolvimento de software, dados, segurança digital, inteligência artificial e pesquisa. Para profissionais já inseridos no mercado, a atualização pode ser uma forma de compreender como novas ferramentas estão transformando tarefas e exigindo novas competências. Outro aspecto relevante é a criação de conexões entre pessoas que estudam e trabalham no setor. O mercado tecnológico depende de profissionais qualificados, mas também de redes de colaboração capazes de aproximar universidades, empresas, órgãos públicos e iniciativas de inovação. Em Belém, essa articulação ganha importância diante do potencial de expansão da infraestrutura digital e de projetos voltados ao processamento de dados e à inteligência artificial. Notícias recentes do setor tecnológico paraense também mostram o avanço de debates sobre a instalação de infraestrutura de data center na capital, tema que reforça a necessidade de preparar mão de obra local para acompanhar novos investimentos. Como a tecnologia pode ajudar a criar soluções para os desafios da Amazônia? Falar sobre inteligência artificial no Pará significa também discutir para quais problemas essa tecnologia pode ser utilizada. A Amazônia apresenta desafios que envolvem grandes distâncias, diversidade ambiental, áreas de difícil acesso e a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e preservação. Sistemas computacionais podem, por exemplo, apoiar pesquisadores no processamento de grandes quantidades de dados e ajudar instituições a identificar padrões que seriam mais difíceis de analisar manualmente. Isso abre espaço para pesquisas relacionadas ao monitoramento ambiental, à produção agrícola, à logística e a diferentes serviços que dependem de informação rápida e organizada. No entanto, a adoção da IA não elimina a necessidade de profissionais qualificados e de decisões humanas. A qualidade dos resultados depende dos dados utilizados, dos objetivos definidos e da forma como a tecnologia é implementada. Esse cuidado é especialmente importante em uma região marcada por grande diversidade social e cultural. Uma solução tecnológica eficiente para uma grande metrópole do Sudeste, por exemplo, pode não funcionar da mesma forma em municípios do interior paraense ou em comunidades com condições diferentes de conectividade. Desenvolver tecnologia para a Amazônia exige conhecer o território e ouvir as populações que serão impactadas pelas ferramentas. É nesse ponto que universidades e centros de pesquisa podem desempenhar um papel decisivo, formando profissionais capazes de unir conhecimento técnico e compreensão regional. A proposta da Secomp de discutir a relação entre tecnologia e sociedade reforça justamente que o avanço da inteligência artificial não deve ser analisado apenas pela velocidade das inovações. A discussão ganha ainda mais relevância diante da transformação digital em curso na educação e no mercado de trabalho. A expansão do uso de IA cria oportunidades, mas também levanta dúvidas sobre privacidade, segurança da informação, uso responsável de dados e mudanças nas profissões. Para estudantes e trabalhadores paraenses, acompanhar essas mudanças pode fazer diferença na preparação para novas exigências profissionais. Para empresas e gestores públicos, o desafio é identificar onde a tecnologia realmente pode gerar ganhos sem ignorar riscos e limitações. Mais do que imaginar uma inteligência artificial distante da realidade amazônica, o debate que começa em Belém aponta para uma questão concreta: quem estiver preparado para desenvolver, compreender e aplicar tecnologia poderá participar mais diretamente das transformações que já estão chegando ao Pará. Nos próximos dias, a programação da Semana da Computação deve colocar essas questões em circulação entre estudantes, pesquisadores e profissionais. O legado mais importante de encontros desse tipo, porém, pode ir além das palestras e oficinas realizadas durante quatro dias. A formação de novos talentos, a aproximação entre universidade e mercado e o desenvolvimento de soluções para problemas regionais são fatores que podem fortalecer o setor tecnológico paraense no longo prazo. Para quem vive no Pará, acompanhar esse movimento significa entender que a inteligência artificial não é apenas uma tendência global vista de longe. Ela já influencia a educação, o trabalho e os serviços, e a capacidade de produzir conhecimento local será fundamental para definir como essa transformação acontecerá na Amazônia. Fontes: UFPA — Semana da Computação tem programação voltada à tecnologia e à inteligência artificial na Amazônia SECOMP 2026 — site oficial da Semana da Computação da UFPA UFPA — página oficial do evento SECOMP 2026 TI Pará — Belém será palco da maior semana de Computação do Norte em 2026
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Por Elena Vorenska 26 de agosto de 2026
Projetos de inovação costumam começar com uma promessa atraente: adotar uma tecnologia capaz de tornar a empresa mais eficiente, competitiva e preparada para o futuro. O problema aparece quando a novidade é tratada como ponto de chegada, e não como parte de uma decisão estratégica. Para gerar resultado, tecnologia, estratégia e operação precisam avançar na mesma direção. O CEO da Vert Analytics e especialista em tecnologia, com experiência consolidada em inovação, inteligência artificial e analítica, e no desenvolvimento de soluções que transformam negócios e serviços públicos, André de Barros Faria, aponta que projetos de inovação devem partir de problemas concretos do negócio e transformar capacidade tecnológica em valor mensurável. Isso significa evitar a escolha de ferramentas apenas porque estão em alta e analisar como inteligência analítica, inteligência artificial e automação podem melhorar decisões e processos. Tecnologia precisa responder a uma estratégia  Uma inovação bem estruturada não começa pela pergunta sobre qual tecnologia usar. A questão inicial é qual resultado a organização pretende alcançar. Pode ser reduzir retrabalho, acelerar uma etapa operacional, melhorar a qualidade da informação ou apoiar decisões mais precisas. Esse ponto muda a lógica do projeto. Em vez de implantar IA generativa, machine learning ou automação inteligente como iniciativas isoladas, a empresa passa a avaliar onde essas capacidades produzem impacto real. A tecnologia deixa de ser protagonista e passa a funcionar como instrumento para executar uma estratégia. A própria atuação da Vert Analytics mostra essa abordagem ao combinar inteligência artificial, análise de dados, automação de processos e soluções voltadas à otimização da tomada de decisão. No ambiente de negócios, esse alinhamento permite conectar inovação a ganhos de eficiência e a uma visão mais consistente sobre geração de valor. Operação transforma inovação em resultado Mesmo uma estratégia bem formulada pode perder força quando não encontra espaço na operação. Processos mal definidos, dados fragmentados e atividades repetitivas podem limitar o retorno de qualquer investimento tecnológico. André de Barros Faria elucida que o desenho do projeto precisa considerar a rotina de quem utilizará a solução. É necessário entender quais etapas dependem de intervenção humana, quais podem ser automatizadas e quais informações precisam estar disponíveis para a decisão. A automação de processos, por exemplo, ganha relevância quando elimina tarefas repetitivas, reduz retrabalho e melhora a visibilidade necessária para decidir. Nesse contexto, a hiperautomação amplia a discussão. Em vez de automatizar apenas uma tarefa, a organização pode integrar diferentes capacidades, dados e fluxos para tornar o processo mais inteligente. Os agentes autônomos de IA avançam nessa direção ao executar determinadas atividades com maior independência, apoiados por técnicas de inteligência artificial. Dados conectam as três dimensões A inteligência analítica exerce um papel central porque ajuda a criar a ponte entre estratégia e operação. Sem dados confiáveis, a liderança tende a decidir com informações incompletas, enquanto a área operacional pode automatizar processos sem compreender seus efeitos. Uma arquitetura orientada a dados permite identificar padrões, acompanhar indicadores e criar mecanismos para apoiar decisões. Na Vert Analytics, soluções analíticas são apresentadas como capazes de capturar, processar e analisar diferentes tipos de dados, permitindo tanto automatizar ações quanto apresentar informações relevantes para processos decisórios. Isso também ajuda a construir uma inovação mais responsável. O uso de IA precisa considerar critérios de governança, qualidade das informações, segurança e clareza sobre o papel humano nas decisões de maior impacto. Liderança precisa alinhar visão e execução A conexão entre tecnologia, estratégia e operação depende também da liderança. Cabe aos gestores definir prioridades, estabelecer critérios de sucesso e impedir que a inovação seja conduzida apenas pelo entusiasmo com novas ferramentas. Para André Faria, essa perspectiva é especialmente relevante em um cenário no qual a inteligência artificial amplia rapidamente as possibilidades de automação e análise. A próxima onda de produtividade não dependerá apenas de modelos mais avançados, mas da capacidade de incorporá-los aos processos certos, com objetivos claros e governança adequada. Alinhar tecnologia, estratégia e operação, portanto, não significa fazer com que todas as áreas pensem da mesma maneira. Significa criar uma direção comum: problemas bem definidos, tecnologia adequada, dados úteis e processos capazes de transformar inovação em resultado. É essa combinação que permite que a transformação digital deixe de ser apenas promessa e se converta em eficiência, diferenciação estratégica e geração de valor.
Por Elena Vorenska 26 de agosto de 2026
Campanha entra em nova fase no Pará, com propaganda no rádio e na TV e atenção maior às escolhas para governador, senador e deputados. A corrida eleitoral no Pará entra em uma etapa decisiva nesta semana. A partir de sexta-feira, 28 de agosto, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para o primeiro turno das Eleições 2026, levando a disputa para dentro das casas de eleitores de Belém, Santarém, Marabá e demais municípios do estado. A campanha oficial já está liberada desde 16 de agosto, mas o início do horário eleitoral amplia a exposição dos candidatos e pode mudar a percepção do eleitor sobre as principais candidaturas. A movimentação ganhou um novo capítulo na segunda-feira (24), quando o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) precisou redistribuir o tempo destinado aos candidatos ao Senado após a entrada de uma nova candidatura. Para o eleitor paraense, a mudança é importante porque o Senado terá duas vagas em disputa e o horário eleitoral será uma das principais fontes de informação sobre os concorrentes. A pergunta que ganha força, portanto, é: o que muda para o eleitor do Pará com o início da propaganda eleitoral e como acompanhar a disputa sem depender apenas das redes sociais? Horário eleitoral no Pará começa em 28 de agosto; veja o que muda O horário eleitoral gratuito do primeiro turno será transmitido no Pará entre 28 de agosto e 1º de outubro. O calendário foi organizado pelo TRE-PA em audiência pública realizada em 19 de agosto, quando foram definidos procedimentos, emissoras geradoras, ordem de veiculação e distribuição das inserções. A propaganda contempla as disputas para governador, senador, deputado federal e deputado estadual, permitindo que o eleitor tenha contato mais estruturado com propostas e posicionamentos dos candidatos. No caso da disputa pelo governo estadual, a ordem de apresentação definida para o primeiro dia ficou com O Pará Tá Junto em primeiro, O Pará É do Povo em segundo e a Federação PSOL/Rede em terceiro. A ordem inicial não significa vantagem eleitoral nem determina quem terá mais tempo ao longo da campanha, pois a distribuição segue critérios estabelecidos pela legislação eleitoral. Para o eleitor, o ponto mais importante é observar que a propaganda é apenas uma das fontes disponíveis e deve ser comparada com informações oficiais sobre candidaturas, propostas e histórico político. A propaganda também ganha importância porque o Pará tem uma disputa estadual que envolve decisões diretamente relacionadas ao cotidiano da população. Temas como saúde pública, segurança, educação, infraestrutura, transporte, mineração, agronegócio, pesca e desenvolvimento regional tendem a ocupar espaço nas campanhas. Em Belém e na Região Metropolitana, questões urbanas e o legado de grandes investimentos também podem pesar no debate, enquanto municípios do interior podem concentrar atenção em estradas, serviços públicos, produção rural e acesso à saúde. Assim, o horário eleitoral pode ajudar o eleitor a identificar quais propostas realmente tratam de problemas presentes em sua região. Disputa pelo Senado ganha novo capítulo após mudança no Pará A corrida pelo Senado também sofreu uma alteração recente. Em 24 de agosto, o TRE-PA refez a distribuição do horário eleitoral porque uma nova candidatura foi apresentada pela Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. Com isso, o número de candidaturas consideradas na distribuição passou de cinco para seis, obrigando o tribunal a recalcular exclusivamente o tempo destinado ao Senado. A nova divisão ficou assim: O Pará Tá Junto recebeu 4 minutos e 20,29 segundos, enquanto o Partido Liberal ficou com 1 minuto e 22,91 segundos. Podemos, PDT, Federação PSOL/Rede e Federação Renovação Solidária receberam, respectivamente, 22,49 segundos, 19,39 segundos, 18,62 segundos e 16,30 segundos. Ao todo, serão 980 inserções durante o período, e a distribuição vale igualmente para rádio e televisão. Para quem vai votar no Pará, a disputa pelo Senado merece atenção especial porque serão escolhidos dois senadores em 2026. O eleitor não deve confundir a quantidade de tempo de propaganda com preferência do eleitorado, já que a divisão obedece principalmente à representação partidária e às regras previstas na legislação. Além disso, a Justiça Eleitoral informa que a posição sorteada para a apresentação no primeiro dia representa apenas a ordem de veiculação e não corresponde ao tempo recebido por cada candidatura. Outro ponto importante é que a campanha eleitoral já está submetida a regras específicas para internet e propaganda. Desde 16 de agosto, candidatos podem realizar comícios, carreatas, caminhadas, distribuição de material e propaganda na internet, respeitando as normas eleitorais. O eleitor também precisa ficar atento ao conteúdo compartilhado nas redes, principalmente quando mensagens apresentam acusações ou informações que não podem ser confirmadas por fontes confiáveis. O que o eleitor paraense deve acompanhar até outubro A próxima fase da eleição não será marcada apenas pela televisão e pelo rádio. O processo eleitoral seguirá avançando até a votação de 4 de outubro, enquanto a Justiça Eleitoral continua analisando os registros de candidatura. O TRE-PA estabeleceu 14 de setembro como prazo para que os pedidos de registro, inclusive aqueles contestados ou em grau de recurso, estejam julgados e com decisões publicadas pelas instâncias ordinárias. Isso significa que o cenário eleitoral ainda pode sofrer alterações jurídicas, embora as candidaturas já estejam em campanha. Para o eleitor, uma das formas mais seguras de acompanhar essas mudanças é utilizar os canais oficiais da Justiça Eleitoral, que concentram informações sobre candidaturas, locais de votação, regras de propaganda e prestação de contas. O próprio TRE-PA mantém uma página específica das Eleições 2026 com serviços e informações atualizadas para o eleitorado paraense. A recomendação prática para quem mora no Pará é aproveitar o início da propaganda para anotar os principais nomes e comparar propostas, sem decidir apenas pelo desempenho de um candidato em um programa de poucos segundos. Também vale observar se as promessas apresentadas podem ser executadas pelo cargo em disputa, já que governador, senador, deputado federal e deputado estadual possuem atribuições diferentes. Essa distinção é especialmente importante quando temas como hospitais, escolas, segurança, infraestrutura e investimentos federais aparecem misturados durante a campanha. O eleitor de Belém, Santarém, Marabá, Ananindeua, Castanhal, Altamira e dos demais municípios paraenses ainda terá semanas para acompanhar o debate antes do primeiro turno. Nesse período, além da propaganda, será possível consultar informações oficiais e verificar como cada candidatura pretende tratar questões que afetam diretamente o estado. A eleição, portanto, entra em uma fase em que informação e comparação passam a ter peso maior na escolha. Com o início do horário eleitoral nesta sexta-feira, o paraense terá mais uma ferramenta para conhecer os candidatos que disputam os principais cargos estaduais e federais. A mudança também torna mais visível a disputa pelo governo do Pará e pelas duas vagas ao Senado, enquanto candidatos a deputado federal e estadual ampliam suas campanhas. Para o eleitor, o principal cuidado é não transformar propaganda em única fonte de informação: propostas, trajetória, regras eleitorais e dados oficiais também precisam entrar na análise. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro, e até lá o cenário político do Pará continuará em movimento. Fontes: TRE-PA — Audiência pública define ordem do Horário Eleitoral Gratuito TRE-PA — Redistribuição do horário eleitoral para candidaturas ao Senado TRE-PA — Propaganda eleitoral começa em 16 de agosto TRE-PA — Eleições 2026: faltam dois meses para o eleitorado escolher seis candidatos
Por Elena Vorenska 26 de agosto de 2026
Evento reúne estudantes, pesquisadores e profissionais para discutir inteligência artificial, formação e soluções tecnológicas voltadas à Amazônia. Belém recebe, entre esta quarta-feira, 26 de agosto, e o próximo sábado, 29, a Semana da Computação da Universidade Federal do Pará (Secomp 2026), evento que coloca a inteligência artificial e seus impactos na sociedade no centro dos debates. Promovida pela Faculdade de Computação e pelo Programa de Pós-Graduação em Computação da UFPA, a programação reúne palestras, oficinas práticas, competição de programação e atividades voltadas à carreira. O encontro ocorre em um momento em que ferramentas de IA passam a fazer parte da rotina de estudantes, empresas, serviços públicos e profissionais de diferentes áreas. Para o paraense, porém, a discussão vai além de aprender a usar novas plataformas: envolve entender quais oportunidades podem surgir na economia local e como a tecnologia pode ajudar a enfrentar desafios específicos da Amazônia. A principal dúvida, portanto, é prática: o avanço da inteligência artificial pode gerar estudo, emprego e inovação no Pará? A programação da UFPA ajuda a mostrar por que a resposta depende tanto da formação de pessoas quanto da criação de soluções conectadas à realidade regional. Por que a inteligência artificial discutida em Belém interessa ao cotidiano do paraense? A Semana da Computação da UFPA tem como tema “Tecnologia e sociedade diante das novas fronteiras da inteligência artificial”, reunindo pesquisadores, estudantes e profissionais para discutir o avanço dessas ferramentas e seus efeitos. Segundo a universidade, a programação inclui palestras, oficinas práticas e a etapa regional da Maratona de Programação, além de atividades voltadas à formação e ao contato entre novos talentos e o mercado. O evento é realizado entre os dias 26 e 29 de agosto, em Belém, com participação de pessoas ligadas à Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e outras áreas relacionadas. A iniciativa também busca aproximar a produção acadêmica das necessidades do setor tecnológico paraense. A importância desse debate para o Pará está no fato de que a inteligência artificial já deixou de ser um assunto restrito a grandes empresas de tecnologia. Ferramentas baseadas em IA podem apoiar atividades educacionais, organizar grandes volumes de informação, automatizar tarefas e auxiliar na criação de sistemas para diferentes setores da economia. Em um estado com dimensões continentais e grandes desafios de comunicação, logística e acesso a serviços, a tecnologia também pode ser pensada a partir de problemas locais. Isso inclui possibilidades de pesquisa relacionadas ao meio ambiente, à Amazônia, ao agronegócio, à pesca, à mineração e aos serviços públicos. O ponto central é que soluções desenvolvidas para outras regiões nem sempre respondem adequadamente às características sociais, geográficas e econômicas do Pará. Por isso, formar profissionais e pesquisadores capazes de criar tecnologia a partir da realidade amazônica se torna uma questão estratégica para o desenvolvimento regional. A discussão também interessa a quem ainda não trabalha diretamente com tecnologia. Estudantes do ensino médio e universitários precisam acompanhar mudanças que podem alterar as habilidades mais valorizadas no mercado, enquanto profissionais de outras áreas já convivem com ferramentas digitais em suas rotinas. Aprender a avaliar informações produzidas por sistemas de IA, compreender seus limites e saber utilizá-los de maneira responsável tende a se tornar cada vez mais importante. A própria programação da Secomp prevê atividades práticas e espaços de troca entre academia e mercado, reforçando que o conhecimento tecnológico não se resume à teoria. UFPA e formação tecnológica: o que estudantes e profissionais podem ganhar com eventos como a Secomp? Para quem mora em Belém ou acompanha o crescimento do setor de tecnologia no Pará, um dos principais ganhos de eventos como a Semana da Computação é a aproximação entre formação, pesquisa e oportunidades profissionais. A programação de 2026 reúne palestras, minicursos, oficinas e uma feira voltada a carreiras, criando espaços para que estudantes conheçam áreas de atuação e façam contato com profissionais do mercado. A Maratona de Programação, por sua vez, trabalha competências como raciocínio lógico, criatividade, resolução de problemas e trabalho em equipe. Essas habilidades são úteis não apenas para programadores, mas também para quem pretende atuar em ambientes profissionais cada vez mais digitalizados. A competição faz parte de uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Computação e pode levar equipes bem classificadas a etapas posteriores do circuito. A presença da UFPA nesse debate tem peso especial para o estado por sua atuação na formação de profissionais e na produção científica na Amazônia. A universidade destaca que a Semana da Computação pretende fortalecer o ecossistema tecnológico de Belém e contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas às demandas locais. Na prática, isso significa discutir tecnologia não apenas como consumo de produtos criados em outros centros do país ou do exterior, mas como área capaz de gerar conhecimento e negócios dentro do próprio Pará. Para um jovem que está escolhendo uma carreira, por exemplo, o evento pode ajudar a visualizar caminhos em desenvolvimento de software, dados, segurança digital, inteligência artificial e pesquisa. Para profissionais já inseridos no mercado, a atualização pode ser uma forma de compreender como novas ferramentas estão transformando tarefas e exigindo novas competências. Outro aspecto relevante é a criação de conexões entre pessoas que estudam e trabalham no setor. O mercado tecnológico depende de profissionais qualificados, mas também de redes de colaboração capazes de aproximar universidades, empresas, órgãos públicos e iniciativas de inovação. Em Belém, essa articulação ganha importância diante do potencial de expansão da infraestrutura digital e de projetos voltados ao processamento de dados e à inteligência artificial. Notícias recentes do setor tecnológico paraense também mostram o avanço de debates sobre a instalação de infraestrutura de data center na capital, tema que reforça a necessidade de preparar mão de obra local para acompanhar novos investimentos. Como a tecnologia pode ajudar a criar soluções para os desafios da Amazônia? Falar sobre inteligência artificial no Pará significa também discutir para quais problemas essa tecnologia pode ser utilizada. A Amazônia apresenta desafios que envolvem grandes distâncias, diversidade ambiental, áreas de difícil acesso e a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e preservação. Sistemas computacionais podem, por exemplo, apoiar pesquisadores no processamento de grandes quantidades de dados e ajudar instituições a identificar padrões que seriam mais difíceis de analisar manualmente. Isso abre espaço para pesquisas relacionadas ao monitoramento ambiental, à produção agrícola, à logística e a diferentes serviços que dependem de informação rápida e organizada. No entanto, a adoção da IA não elimina a necessidade de profissionais qualificados e de decisões humanas. A qualidade dos resultados depende dos dados utilizados, dos objetivos definidos e da forma como a tecnologia é implementada. Esse cuidado é especialmente importante em uma região marcada por grande diversidade social e cultural. Uma solução tecnológica eficiente para uma grande metrópole do Sudeste, por exemplo, pode não funcionar da mesma forma em municípios do interior paraense ou em comunidades com condições diferentes de conectividade. Desenvolver tecnologia para a Amazônia exige conhecer o território e ouvir as populações que serão impactadas pelas ferramentas. É nesse ponto que universidades e centros de pesquisa podem desempenhar um papel decisivo, formando profissionais capazes de unir conhecimento técnico e compreensão regional. A proposta da Secomp de discutir a relação entre tecnologia e sociedade reforça justamente que o avanço da inteligência artificial não deve ser analisado apenas pela velocidade das inovações. A discussão ganha ainda mais relevância diante da transformação digital em curso na educação e no mercado de trabalho. A expansão do uso de IA cria oportunidades, mas também levanta dúvidas sobre privacidade, segurança da informação, uso responsável de dados e mudanças nas profissões. Para estudantes e trabalhadores paraenses, acompanhar essas mudanças pode fazer diferença na preparação para novas exigências profissionais. Para empresas e gestores públicos, o desafio é identificar onde a tecnologia realmente pode gerar ganhos sem ignorar riscos e limitações. Mais do que imaginar uma inteligência artificial distante da realidade amazônica, o debate que começa em Belém aponta para uma questão concreta: quem estiver preparado para desenvolver, compreender e aplicar tecnologia poderá participar mais diretamente das transformações que já estão chegando ao Pará. Nos próximos dias, a programação da Semana da Computação deve colocar essas questões em circulação entre estudantes, pesquisadores e profissionais. O legado mais importante de encontros desse tipo, porém, pode ir além das palestras e oficinas realizadas durante quatro dias. A formação de novos talentos, a aproximação entre universidade e mercado e o desenvolvimento de soluções para problemas regionais são fatores que podem fortalecer o setor tecnológico paraense no longo prazo. Para quem vive no Pará, acompanhar esse movimento significa entender que a inteligência artificial não é apenas uma tendência global vista de longe. Ela já influencia a educação, o trabalho e os serviços, e a capacidade de produzir conhecimento local será fundamental para definir como essa transformação acontecerá na Amazônia. Fontes: UFPA — Semana da Computação tem programação voltada à tecnologia e à inteligência artificial na Amazônia SECOMP 2026 — site oficial da Semana da Computação da UFPA UFPA — página oficial do evento SECOMP 2026 TI Pará — Belém será palco da maior semana de Computação do Norte em 2026
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